Doutor, eu não me engano, o Brasileirão é corinthiano!
Deus adora aprontar das suas.
Quando acordei no último domingo, por volta das 13:00, fui surpreendido – assim como tantos outros baladeiros que acordaram tarde, por culpa da farra na noite anterior – com a lamentável notícia da morte do Doutor Sócrates.
Tenho 21 anos, portanto não vi Magrão jogar. Tampouco o conheci pessoalmente. A imagem que construí daquele jogador alto, magro – às vezes desengonçado – de técnica rara e aparência exótica, foi pssível por causa da televisão e dos livros, mas, principalente, pela memória do meu pai.
Meu velho venera o Doutor. Todas as vezes que fala do Magrão, seja pelo que o eterno camisa 8 fazia em campo, ou fora dele, os olhos dele brilham e, por vezes, se enchem de lágrimas.
No último domingo, nem bem havia lavado o rosto, me deparei com o choro mudo do meu pai, com os olhos molhados e com o ouvido no rádio, escutando a entrevista que Casagrande concedia para a rádio Estadão/ESPN.
Naquele momento, por osmose, chorei também.
Se foi um mito, ficou uma certeza: O Corinthians seria Campeão Brasileiro naquela tarde.
Como eu já disse, Deus adora aprontar das suas.
Nada mais emblemático, do que o dia 4 de dezembro de 2011, se tornar o dia do Penta do Timão e o dia do falecimento do Magrão.
Daqui há 50, 60 anos, os jornalistas esportivos vão falar do título do Corinthians no dia 4 de dezembro de 2011 e, imediatamente, vão associar a data ao falecimento do Doutor.
E mais, o enterro de Sócrates foi marcado para às 17:00, no mesmo horário do ínicio das 10 partidas derradeiras do Brasileirão 2011.
Só pode ser obra de Deus.
Recuperado do luto momentâneo, acompanhei a “decisão” do Pacaembu, ao lado do meu velho.
Mas, nem mesmo a bola rolou, novamente embarguei a voz, quando vi – enquanto era respeitado o minuto de silêncio em homenagem ao Sócrates – os jogadores e torcedores corinthianos com o braço direito levantado, imitando o gesto que Magrão fazia ao comemorar seus gols.
Uma cena que eu jamais vou tirar da retina, e que, com certeza, embora recente, já foi eternizada.
Mas, vamos falar de futebol.
Num primeiro tempo onde pouco se viu dele (o futebol), foi evidente o domínio do Palmeiras.
Entretanto, o lance mais perigoso surgiu, aos 45′, quando Willian teria sofrido pênalti de Henrique, fato que revoltou os 11 corinthianos em campo, os 40 mil nas arquibancadas, e os 30 milhões espalhados pelo Brasil.
Na minha opinião, não foi nada.
Enquanto, o Corinthians reclamava, o Vasco da Gama comemorava a vitória parcial sobre o Flamengo, com o gol do ex-palmeirense Diego Souza.
Mesmo assim, o resultado de empate em São Paulo garantia o título ao Timão.
Mas, no segundo tempo, a Fiel que já temia pelo pior – se sofresse um gol perderia o título – teve dois motivos para extravasar e aliviar a tensão.
Primeiro no Pacaembu, quando aos 5′, Valdívia deixou o braço no rosto de Jorge Henrique e foi, corretamente, expulso pelo árbitro Wilson Luís Seneme.
Depois no Engenhão, quando, aos 9′, o ex-corinthiano Renato Abreu empatou o jogo para o Flamengo.
Onde quer que estivesse, tenho certeza que, no momento do gol do Mengão – time pelo qual Magrão jogou em 1987 -, Sócrates sorriu.
E com o anúncio do gol flamenguista, o Pacaembu explodiu.
Dentro de campo, o Corinthians não jogava bem, mas fora dele, a Fiel dava um show, emocionava, encantava.
O Corinthians tomou uma bola na trave de Fernandão, e teve Wallace expulso, aos 28′. Mas nada mais impediria o torcedor corinthiano de comemorar.
Estava escrito.
Uma confusão lá no Engenhão, outra aqui no Pacaembu (diga-se de passagem, ridícula a atitude dos jogadores palmeirenses contra Jorge Henrique, porque este fez o famoso chute no vácuo, lance tantas vezes executado por Valdívia), uma expulsão para cada um dos quatro times e não havia tempo para mais nada.
O Brasileirão, depois de 6 anos, era novamente do Corinthians.
Título muito mais do que merecido.
O Corinthians foi constante, maduro, eficiente, inteligente, um conjunto!
Maior número de vitórias, melhor defesa, melhor saldo de gols.
Incontestável.
Incontrolável foi a festa maluca desse bando de loucos.
Faltou apenas uma taça simbólica no Pacaembu.
E a original veio ontem na festa da CBF, como mostra a foto deste post.
Embora Deus, Sócrates e o destino já haviam me informado sobre como acabaria aquela tarde do dia 4 de dezembro de 2011, fiquei um bom tempo pensando naquilo tudo, enquanto ouvia o foguetório ensurdecedor no bairro do Ipiranga.
OBRIGADO DOUTOR SÓCRATES!
PARABÉNS CORINTHIANS!
PARABÉNS CORINTHIANOS!

Últimos Comentários