De Bico – Andrés Sanchez
Toda sexta-feira o Só Bicuda traz a coluna “De Bico”. Nela escrevemos uma carta para determinada personalidade do mundo esportivo.
O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, é o destinatário desta décima primeira edição. Confira:
Caro Andrés Navarro Sanchez,
Finalmente chegou a semana que você tanto aguardava.
Durante os últimos meses você se mostrou – constantemente – irritadiço e dizia, aos quatro cantos, que não via a hora de deixar a presidência do Corinthians.
Enfim, chegou o momento tão desejado.
Você assumiu o poder corinthiano em 2007, após a conturbada saída de Alberto Dualib, ainda em parceria com a obscura MSI.
E nem bem você assumiu, uma bomba estorou em suas mãos: a segunda divisão.
Lembro-me da sua entrevista, no dia 4 de dezembro de 2007, nos vestiários do estádio Olímpico, após o rebaixamento alvinegro, que os rivais deveriam aproveitar aquele momento para tirar sarro, pois ali seria o marco da recuperação da auto-estima corinthiana.
E, profeticamente, você tinha razão.
Nos últimos 4 anos, o Corinthians evoluiu, Andrés.
Dentro de campo conquistou a série B, o Campeonato Paulista, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro. Além de um vice-campeonato paulista e outro da Copa do Brasil.
Fora de campo veio a construção do CT e do tão sonhado estádio, contratações de estrelas como Ronaldo e Roberto Carlos, inúmeras campanhas de marketing, receitas exorbitantes de cotas de TV, a propagação da campanha de sócio torcedor e a tão elogiada mudança no estatuto do clube que impede a reeleição dos presidentes.
No geral, sua administração foi surpreendentemente boa.
Talvez você seja, ao lado de Vicente Matheus, o melhor presidente da história do Corinthians, tamanha a importância de seus feitos.
É claro que, ao longo desses 4 anos, você cometeu erros. E não foram poucos.
Você foi o presidente que mais contratou jogadores na história do Corinthians. Alguns deles – como o zagueiro paraguaio Cristian Suares, o volante Bonilha e experiente goleiro Bobadilla – sequer entraram em campo com a camisa alvinegra.
Isso gera desconfiança Andrés.
Não é à toa que muita gente dentro do Parque São Jorge te cita pela alcunha de “Taxinha”.
Eu não posso provar se você recebe ou não dinheiro das negociações que você promove como presidente do Corinthians, mas que gera desconfiança, isso eu não tenho dúvidas.
Outra falha sua Andrés, foi se preocupar demais com o São Paulo Futebol Clube. Você perseguiu irritantemente o time do Morumbi.
Criticar o presidente tricolor Juvenal Juvêncio, te causava orgasmos múltiplos.
Não precisava. Você estremeceu uma relação que poderia ser extremamente lucrativa para ambos.
Eu sei que você vai se defender alegando que foi o São Paulo que começou com a briga, ao destinar apenas 10% dos ingressos aos corinthianos no Paulistão de 2009.
Mas a sua retaliação poderia ter sido um pouco política e menos torcedora.
O principal fracasso, assim como o de seus antecessores, atende pelo nome de Copa Libertadores.
Você planejou mal a disputa continental durante todo o seu mandato.
No ano passado, ano do centenário corinthiano, a eliminação contra o Flamengo foi reflexo do elenco fraco que o senhor montou. Lembre-se que Souza e Defederico estavam naquele time.
Já nesse ano, você dava como certa a classificação contra o Tolima, na pré-libertadores. E, como castigo, caiu do cavalo.
Portanto Andrés, você deve diminuir o seu ego, que anda inflado, para a sua nova carreira como diretor de seleções da CBF.
Porque você é humano e também erra.
E muito, aliás.
Pois bem, mesmo assim, te desejo sorte na sua nova caminhada e que a seleção brasileira – assim como ocorrera com o Corinthians – melhore sob sua gestão.
Quanto ao Corinthians, acredito que o seu sucessor – provavelmente seu amigo Mário Gobbi – terá um cenário favorável para administrar nos próximos anos.
Mas o corinthiano vai sentir saudades suas.
Saudades que você não vai sentir do Corinthians.
Afinal, assim como Lula está para Dilma, você estará para o próximo presidente corinthiano: Além do exemplo a ser seguido, você será um conselheiro implacável.
Muito boa sorte!
Atenciosamente,
Victor Rodriguez.

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