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De Bico – Marcos

O Só Bicuda antecipa o retorno das férias para homenagear São Marcos de Palestra Itália.

Muito obrigado por tudo, São Marcos!

Toda sexta-feira o Só Bicuda traz a coluna “De Bico”. Nela escrevemos uma carta para determinada personalidade do mundo esportivo.

O ex-goleiro do Palmeiras, Marcos, é o destinatário desta décima segunda edição. Confira:

Caro Marcos Roberto Silveira Reis,

Hoje é dia 6 de janeiro de 2012. Coincidentemente, é dia de Reis.

Mais do que um simples sobrenome, dentro de campo, você também foi rei.

Embora, fora dele, tivesse a alma de um humilde plebeu.

Mais do que Rei, você foi santo.

São Marcos de Palestra Itália.

Há dois dias, vossa santidade abandonou os gramados e promoveu uma comoção geral por todo o Brasil.

Eu teria motivos de sobra para te detestar pelo que você, digo, vossa santidade, fez pelo Palmeiras contra o Corinthians, nas Libertadores de 1999 e 2000.

No dia 6 de junho de 2000, quando você defendeu aquela fatídica cobrança de pênalti de Marcelinho Carioca, escorreram – pela primeira vez na minha vida – lágrimas dos meus olhos, em razão do futebol.

Mas em nenhum momento eu te considerei um vilão.

Sequer te xinguei, tamanha a minha admiração por vossa santidade.

E apenas dois anos depois daquele choro melancólico, rolaram dos meus olhos lágrimas eufóricas.

Como obra do destino, o garoto de Oriente (interior de São Paulo), brilhou no oriente, em terras japonesas e coreanas.

A conquista do penta coroou a série de 7 grandes atuações que você teve naquela Copa do Mundo.

E eu pude sentir na pele, como era ser palmeirense.

Comprovei que a meta defendida por você, digo, vossa santidade, era – divinamente – abençoada.

Mas, como acontece com os santos, desde São Pedro (o primeiro Papa), você passou por inúmeras provações.

Mais especificamente 15.

Foram 15 contusões.

Fico imaginando onde você chegaria se não tivesse sofrido metade delas.

Tenho certeza que a rotineira comparação que teimam em fazer entre vossa santidade e Rogério Ceni, seria considerada loucura.

E esse era o ponto que eu queria chegar.

Vossa santidade foi um goleiro incrível, espetacular.

Assim como Rogério Ceni também é.

A diferença entre vocês está fora de campo.

Assim como os primeiros santos da Igreja Católica, você se destacou pela humildade.

Sempre foi pacato.

Nunca se deslumbrou com a fama.

A cada novo pênalti defendido, a multidão de fiéis crescia.

E vossa santidade resistiu às provações.

Sempre respondeu quando te perguntaram. Disse coisas boas e ruins.

Mas sempre respondeu.

Nunca fugiu das responsabilidades.

Nunca transpareceu arrogância.

Por isso, vossa santidade é unanimidade.

Rogério Ceni, não.

Sua aposentadoria é irreparável.

Talvez não dentro de campo.

Mas, sem dúvida, fora dele.

Você, digo, vossa santidade foi um jogador com espírito e técnica de tempos passados, que brilhou em tempos modernos.

Vossa santidade é um mito. Embora não batesse faltas.

És mais que um mito.

És Rei.

És Santo.

Resta agora uma nação sem Rei.

Restam fiéis sem um Santo Protetor de Metas.

Desejo que tenha sucesso nessa nova fase e que console sua multidão de devotos que ficaram órfãos.

Atendei-nos Marcos Roberto Silveira Reis!

Amém.

Victor Rodriguez.

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