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Arquivo para a categoria ‘Campeonato espanhol’

Quando as estrelas se apagam

Vai ser estranho ver o Raúl sem o Madrid, ou o Madrid sem o Raúl.

No final da última janela de transferências, o Real Madrid despontou como um dos favoritos para acabar com a hegemonia criada pelo Barcelona.

Para fazer frente ao time catalão, que havia conquistado TODAS as competições da temporada 2009, a diretoria madrilenha gastou mundos e fundos em contratações.

Nomes como Cristiano Ronaldo, Kaká, Xabi Alonso, Benzema e Albiol vieram para formar a nova geração de Galácticos.

Mas o que ninguém esperava, é que este elenco multimilionário chegaria ao final desta época sem nenhum motivo para comemorar.

Para resumir como foi à temporada, basta colocarmos em uma balança as conquistas e os fracassos do Madrid.

Pontos positivos…

O atacante Cristiano Ronaldo acabou sendo uma ótima contratação. Ao lado de Gonzalo Higuain, garantiram 39 gols. Este número os deixa apenas 10 gols atrás da melhor dupla da história do Madrid, formada por Puskas e Di Stéfano, que na temporada 1960/61 somaram 49 gols.

O outro ponto positivo foi… aquele… É pensando bem, acabou por aqui.

Pontos negativos…

Por onde começar? Sem contar que a equipe não ganhou nenhum título, podemos destacar:

-A incompetência da diretoria, e comissão técnica, na escolha dos jogadores a serem negociados para reduzir o custo do elenco.

Veja o que três jogadores, rejeitados no Madrid, fizeram nos últimos dias.

Robben – Marcou o gol que classificou o Bayern para as semifinais da Liga dos Campeões.

Sneijder – Marcou o gol que classificou a Inter de Milão para as semifinais da liga dos campeões.

Van Nistelrooy – Marcou o gol que classificou o Hamburgo para as semifinais da Liga da Europa

É evidente que estes jogadores acabaram fazendo falta quando Kaká ou Cristiano não estavam em campo.

Aliás, este foi outro problema enfrentado ao longo deste ano.

- O Madrid foi montado sem um banco de reservas de qualidade. Isso impediu que existissem alternativas de jogo. O time era obrigado a sempre jogar no mesmo esquema.

Mesmo assim, esse não foi o principal fator para que o técnico Manuel Pellegrini não conseguisse repetir o sucesso que obteve no Villareal.

Como eu já havia comentado a alguns meses, o clima não estava bom, entre o técnico e os principais jogadores do elenco, mesmo quando os resultados estavam sendo positivos. Isso porque o treinador comprou briga com Guti e Raúl, dois mitos da equipe merengue.

Vale um destaque

Neste sábado, o Madrid enfrentou o Barça no jogo que praticamente definiu o campeão Espanhol, isso porque as duas equipes estavam empatadas, com 77 pontos. Mas o Barça passou o carro no Real Madrid, jogando no Santiago Bernabéu, garantiu uma vitória por 2 a 0 e agora lidera sozinho o campeonato.

Este jogo, além de acabar com a última esperança de título do Real Madrid, que já havia perdido a Copa do Rey para o Alcorcón e a Liga dos Campeões para o Lyon, provavelmente marcou o último clássico disputado por Raúl e Guti, ambos com 16 e 15 anos de clube respectivamente.

Guti já declarou que não permanecerá em Madrid no próximo ano, o Tottenham surge como principal interessado no meia. Já o atacante Raúl González tem uma proposta para atuar no New York Red Bulls.

Messi, incontestavelmente, o melhor na atualidade

Sou daqueles que acha que uma Copa do Mundo não deve ser o único fator que determine o melhor jogador do mundo, embora reconheça que seu peso deva ser diferenciado. Tampouco acredito que um grande craque tenha que erguer o troféu mais cobiçado de todos para se tornar uma lenda na história do futebol.

Sendo assim, se Zico, Zizinho, Ferenc Puskas, Johan Cruyff, Di Stéfano, Michel Platini e tantos outros não ganharam uma Copa do Mundo, então azar da Copa por não ter esses imortais da bola recebendo o seu troféu. Por essa razão, não condiciono a Messi a necessidade de erguer a Taça FIFA no dia 11 de julho de 2010, em Joanesburgo, para escrever seu nome na história, pois ele já o fez.

No entanto, as comparações com Maradona devem ser controladas, até mesmo pelo bem do próprio Messi. A situação do craque argentino neste ano de 2010 me lembra bastante a de Ronaldinho em 2006. Muitos acreditaram que da maneira que estava jogando, já era possível afirmar que ele jogava mais do que Pelé havia feito.

Assim Ronaldinho chegou à Copa do Mundo de 2006, para iniciar o seu declínio até a queda definitiva contra o craque Zidane. Desde então, aquele Ronaldinho mágico dos tempos de Barcelona raramente aparece, limitando-se a pequenos lampejos no Milan e, hoje, a comparação com Pelé soa como uma heresia.

Nada impossibilita Messi de superar Maradona daqui a alguns anos, mas ainda é cedo para fazer tal comparação. Ele ainda tem 22 anos, pode passar por altos e baixos, dificilmente escapará de crítica em sua carreira, como todo jogador sofre. Logo, a discussão de Messi ser melhor ou não do que Maradona pode e deve ser discutida quando o maior craque do futebol argentino (e mundial) na atualidade já estiver num estágio mais avançado em sua carreira.

O que não se discute é o fato de Messi ser o melhor jogador de 2010, repetindo o feito do ano passado. E nem a Copa do Mundo pode mudar isso, pois apesar de toda sua grandeza, o evento não pode apagar o que Messi vem fazendo pelo Barcelona, tanto no Campeonato Espanhol como na Uefa Champions League.

Afinal, o melhor jogador do mundo pela FIFA em 2006 poderia ser Ronaldinho por ter levado o Barcelona à sua segunda conquista na Champions League ou Zidane pelo que fez na Copa do Mundo na Alemanha com a camisa da França, menos Fábio Cannavaro, que apesar de ser um dos grandes responsáveis pelo Tetra da Azzurra, não poderia ser comparado a esses dois. O mesmo penso em relação a Messi, que independente de conquista a Copa, já é o melhor do mundo em mais esta temporada.

Arma anti Barça…

fonte: fcbarcelona.com
Essa foto está desatulizada, ainda faltam duas taças ganhas no último mês.
bv
Depois de ganhar todos os títulos disputados deste a última temporada, a equipe do Barcelona mostrou neste meio de semana que não é imbatível.

No jogo contra a Inter de Milão, válido pela 1ª rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa, o time espanhol ressaltou sua grande fraqueza.

Basta o adversário apenas se defender e desistir de atacar. Pronto! Para os que queriam a fórmula mágica eu encontrei.

O jogo do Barça não se encaixa contra equipes que utilizem defesas baixas (entendam baixas como defesas que não sobem até o meio de campo para marcar os atacantes).

O sistema de jogo, implantado por Frank Rijkaard e melhorado por Pep Guardiola, funciona perfeitamente nos jogos contra times do campeonato espanhol onde todos jogam fazendo linha de impedimento quase no meio de campo.

Basta uma troca de passes com qualidade para que os jogadores apareçam livres frente a frente com o gol.

Não é tudo tão simples assim, mas é clara a dificuldade que o Barça encontra contra equipes que venham de outra escola de futebol.

Vejam três exemplos disso:

2009/2010 – Liga dos Campeões – Inter 0 x 0 Barcelona: Um dos jogos mais fracos dos últimos anos. O Barça encontrou um adversário que apesar de jogar em casa priorizou a defesa, aliás, se contentou em apenas se defender. O time italiano concentrava sua marcação na entrada da área e assim diminuía o espaço para as jogadas de ataque do Barcelona.
O que foi mais surpreendente neste jogo foi o desespero do Barça nos momentos de pouca criação ofensiva. Tudo no ataque se resumia a cruzamentos para a área.
Nesse momento eu reparei que não são apenas nossas equipes tupiniquins que começam a tentar chuveirinhos no final dos jogos que estão indo para o limbo.

2008/2009 – Liga dos Campeões – Chelsea 1 x 1 Barcelona: Os times ingleses têm como característica fazer uma marcação com duas linhas de quatro. Os jogadores vão catando cavaco e depois começam uma coreografia. Ops… Isso era um pedaço de outro post que estou escrevendo no meu blog de dança.
Mas recapitulando, os times ingleses adotam um sistema de marcação semelhante ao espanhol. As defesas jogam muito avançadas, porém a grande diferença está no de meio de campo.
Enquanto equipes espanholas jogam com um volante e contenção e três jogadores na criação, as equipes inglesas jogam com quatro jogadores marcando e atacando.
Isso dificultou muito para o Barça que não encontra espaços para que suas trocas de bola rápidas pelo meio sejam incisivas.
No final deste jogo o Barça se classificou por causa do gol marcado fora de casa aos 47 do segundo tempo.

2006/2007 – Mundial InterclubesInternacional x Barcelona: O Barcelona jamais esperaria enfrentar uma equipe brasileira jogando toda recuada. Para os que se lembram bastou um contra ataque para que o espetacular Adriano Gabiru estabelecesse a primeira crise da era Rijkaard/Ronaldinho.

Perfeição na Espanha

Como citado acima as dificuldades do Barcelona estarão em escolas diferente da Europa, na Espanha tudo continua na rotina.

No jogo finalizado há poucos minutos o Barcelona derrotou a equipe do Atlético de Madrid por 5 x 2 e segue com 100% de aproveitamento. Três jogos três vitórias.

Para os que acompanharam a partida assistiram um jogo sem graça nenhuma. Depois que o Barça fez 4 x 0 no primeiro tempo dava até de los colchoneros.

Nesta partida também foi possível ver a inversão de posição entre Ibrahimovic e Henry.
Pep Guardiola parece não estar satisfeito com o desempenho de Ibra como centroavante.

Seria esta uma pequena amostra de arrependimento por ter deixado Eto’o sair para comprar um jogador com características tão diferentes?

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