Se não fosse o Ceni…
O São Paulo passou – no sufoco – pelo Universitário do Peru, ontem, no Morumbi.
A vitória decidida apenas nas cobranças de penalidades garantiu ao tricolor, a vaga nas quartas de final da Taça Libertadores da América.
Mais de 43 mil torcedores vaiaram a fraca exibição da equipe ao final dos 90 minutos.
Mas, depois dos penaltis, vibraram com a suada classificação.
E ainda mais, readquiriu a confiança no craque, capitão, artilheiro, ídolo, mito, deus, Rogério Ceni.
O JOGO
O São Paulo sofreu mais do que o esperado. Isto porque, mais uma vez, Ricardo Gomes escalou mal a equipe tricolor.
Se na semana passada, jogando em casa, o Universitário apenas se defendeu, ontem, como visitante, a equipe peruana não iria sair pro jogo.
Ricardo Gomes deixou Washington – o único atacante de área – no banco. E por isso foi vaiado pelo torcedor, antes mesmo da bola rolar.
Com Fernandinho e Dagoberto formando a dupla de ataque, o São Paulo tinha velocidade mas não tinha nenhum jogador dentro da área para concluir as jogadas que os dois “pontas” faziam.
No primeiro tempo, o jogo foi amarrado, o Universitário passou do meio de campo em apenas duas oportunidades.
Por outro lado, o tricolor pressionava. Principalmente pelo lado direito com Cicinho e Dagoberto.
A melhor chance do time paulista surgiu aos 18′ numa cabeçada de Rodrigo Souto que explodiu no travessão.
Rogério Ceni, que completou seu jogo de número 901 com a camisa tricolor, apenas assistia a partida.
No segundo tempo Ricardo Gomes acordou. Colocou Washington em campo, no lugar do apagado Jorge Wágner.
E o São Paulo melhorou.
Nos primeiros quinze minutos, é verdade, tomou alguns sustos, pois deu espaços para o adversário.
Mas o ataque no Universitário é uma das coisas mais feias que a Libertadores já viu.
O São Paulo se reorganizou e retomou o controle do jogo.
Criou chances de gol claríssimas. A maior delas, surgiu após jogada de Dagoberto que encontrou Marlos, sozinho, dentro da área. O meia pegou mal na bola e mandou no travessão.
Washington e Fernandinho também deram trabaho ao goleiro peruano Llontop (isso é nome de gente?).
O São Paulo dominou, mas não teve força ofensiva para fazer o gol da classificação.
Um novo 0 x 0 levou a decisão para as penalidades.
ROGÉRIO CENI
Era a hora de Rogério Ceni brilhar.
Ramirez converteu a primeira cobrança para o time peruano.
Rogério Ceni, logo de cara, bateu o penalti para o tricolor, e pela terceira vez no ano, perdeu.
O ídolo era o vilão. Apreensão no Morumbi.
Mas Rogério Ceni é Rogério Ceni.
O goleiro cresce em momentos decisivos. Mais ainda se for pela Libertadores.
Ele pegou com os pés a cobrança de Alva, e com as mãos a de Galván.
O ídolo era – de novo – o heroi.
Hernanes e Marcelinho Paraíba converteram e deixaram o tricolor muito perto da vaga.
Ainda mais quando Labarthe chutou pra fora o quarto penalti do time peruano.
Estava nos pés de Dagoberto a classificação tricolor. O atacante tirou o goleiro Llontop e marcou o gol que garantiu a vaga e a festa do torcedor São Paulino.
Todos abraçaram Rogério Ceni.
Inclusive Ricardo Gomes.
Se não fosse a atuação do capitão, talvez hoje, ele já não seria mais técnico do São Paulo.
FUTURO
O São Paulo aguarda o vencedor de Cruzeiro e Nacional, para descobrir quem será o adversário nas quartas de final.
Está mais para o Cruzeiro.
Independentemente do adversário, o São Paulo – pelo time que montou – precisa jogar mais. Muito mais.
Ricardo Gomes tem que ser um pouco menos pragmático.
Ousadia pode fazer bem ao time.
O elenco é ótimo, ainda mais com a contratação do Fernandão.
Resta ao treinador não atrapalhar.
O tricolor está vivíssimo na luta pelo Tetra.







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