A quatro passos do Paraíso
No dia primeiro de setembro, Cuca assumiu o cargo de treinador do Fluminense. A equipe das Laranjeiras estava na lanterna do campeonato Brasileiro, cinco pontos atrás do penúltimo colocado, que no caso era o Sport.
Os comentários pelas esquinas do Brasil, naquela época, não eram lá muito animadores:
“Ah… O Sport ainda tem chance de buscar a Libertadores, mas o Flu já caiu!” (Zé do Rádio – Torcedor do Sport)
“Mas nem com milagre do MEU PAI o Fluminense se salva” (Inri Cristo – Jesus Cristo)
“O Fluminense corre risco de cair? Corre. É bem provável que ele vá para a segunda divisão? É. Isso é uma questão estrutural, mas é pontual. Ou não. (Cléber Machado – TV Globo)
“É inaceitável um time pagar 300 mil reais de salário para o atacante Fred. Isto é uma vergonha! (Boris Casoy – TV Bandeirantes)
“Eu quero imagens do Fluminense. Uma tragédia. Comandante Hamilton está mostrando o treino agora à tarde nas Laranjeiras. Uma calamidade, um absurdo. Ô presidente Horcades, me ajuda aí pô! (José Luis Datena – TV Bandeirantes)
Deixando as brincadeiras de lado, Cuca chegou desacreditado nas Laranjeiras. Aparentemente não tinha o perfil necessário, a personalidade forte, para chacoalhar o elenco tricolor, e fazer com que a equipe acordasse a tempo de fugir do rebaixamento. Mas Cuca botou a Cuca pra funcionar (trocadilho maldito) e calou a boca dos críticos.
Ele respirou fundo, criou coragem, e começou a reformulação do Flu, com uma série de atitudes surpreendentes. Afastou o zagueiro e capitão da equipe Luiz Alberto, colocou os chinelinhos Ruy, Roni e Fabinho no banco, trocou o goleiro Fernando Henrique pelo reserva Rafael, blindou o grupo dos problemas políticos que atingiam o clube, exigiu que o Departamento Médico esvaziasse, deu a oportunidade para os jovens de Xerém como Digão e Dieguinho (Parece dupla caipira! Bizarro!) e deu a devida importância para a Copa Sulamericana.
Claro que esta série de medidas só teria algum efeito se os resultados aparecessem dentro de campo. No começo, frustração com os empates em casa contra Náutico e Corinthians, e decepção com a derrota no clássico contra o Flamengo. Veio então a 27ª rodada do Brasileirão. A partir daí tudo mudou. Fred se recuperou de sua interminável lesão e voltou a vestir a camisa 9, Gum acertou a cozinha com Dalton e Digão, Conca voltou a ser aquele Conca que todo mundo admira, Maicon, Mariano, e até Diguinho começaram a jogar o fino da bola. O grupo se uniu e acreditou no discurso de Cuca.
Desde então o Fluminense nunca mais perdeu. São 9 partidas de invencibilidade no Brasileirão. Se contarmos ainda a Copa Sulamericana o tricolor ganhou 9 e empatou 4 dos últimos 13 jogos disputados. E o melhor, jogando um futebol bonito, convincente, firme e que resulta em justas vitórias (Exceto o jogo contra o Palmeiras, né Símon?).
O milagre que nem Inri Cristo imaginava aconteceu e a epopéia tricolor tem tudo para acabar com um final feliz. Faltam apenas quatro jogos, dois pelo Brasileirão (Vitória em casa e Coritiba fora) e dois pela final da Copa Sulamerica, contra a LDU, aquela mesma que ganhou do Fluminense na final da Copa Libertadores do ano passado em pleno Maracanã. Ótima oportunidade para se vingar dos malditos equatorianos.
Enfim, quando tudo parecia perdido, e a segundona era questão de tempo, o Fluminense achou uma reação que nem o mais fanático torcedor acreditava. Claro que a situação ainda é difícil e o risco de rebaixamento é grande, mas faltam apenas quatro jogos e o Tricolor depende exclusivamente de suas forças. Com quatro vitórias o Fluzão cala a boca dos corneteiros (inclusive este jovem blogueiro), escapa do rebaixamento e conquista um título internacional.
Com muita luta, o Fluminense pode transformar um ano que seria de luto, em uma temporada histórica. Se isso realmente acontecer deve ser construída uma estátua de bronze para o Cuca no meio do gramado das Laranjeiras e todos os jogadores do elenco irão eternizar os pés na calçada da fama do estádio do Maracanã.



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