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Arquivo para a categoria ‘Futebol do Sul’

Empate frustrante em Curitiba

Foto: Giuliano Gomes/Gazeta Press

Atlético Paranaense e Cruzeiro entraram em campo com objetivos distintos neste Campeonato Brasileiro. Enquanto a Raposa brigava para entrar no G-4, o Furacão tentava se livrar definitivamente do risco da zona de rebaixamento. Mas com o resultado de 1×1, ambos não atingiram seus objetivos.

O jogo foi de muita marcação, muitos passes errados e pouca técnica. Mesmo assim, a partida não deixou de ser emocionante em certos momentos, principalmente no segundo tempo, pela determinação e a importância que o jogo possuía para os dois times.

Empurrado pela torcida, pode-se dizer que o Atlético foi um pouco melhor na partida, por ter chegado mais à área de Fábio e marcado de mais incisivamente os jogadores cruzeirenses. Já o Cruzeiro teve uma noite apagada de Thiago Ribeiro, Gilberto e Wellington Paulista, que de tão sumido, foi substituído no começo do segundo tempo. Apesar de chegar em algumas ocasiões, faltava qualidade para a equipe mineira definir a partida a seu favor.

A leve superioridade atleticana surtiu efeito aos 28 minutos da etapa final. Numa excelente ajeitada de Paulo Baier, Marcinho apareceu completamente livre para mandar a bola para as redes de Fábio. O resultado deixaria o time paranaense praticamente salvo da zona de rebaixamento e assim Antonio Lopes tirou autor do gol, Marcinho, para o volante Fransérgio entrar no jogo.

Mas aos 46 minutos, o Cruzeiro conseguiu o empate. Em cobrança de escanteio, Leonardo Silva, com seu 1,92 m, cabeceou para o gol e não deu chances para Galatto evitar a igualdade no placar. Com o resultado, a Arena sentiu o golpe e o drama do rebaixamento, mesmo que pequeno seja o risco, ainda corrói os atleticanos.

Na comemoração do gol cruzeirense, Gilberto, que já levara cartão amarelo por não colocar a bola no lugar determinado pelo polêmico Paulo César de Oliveira em cobrança de falta, levou o direto o cartão vermelho. Somente depois do final da partida, o camisa 10 cruzeirense explicou que o árbitro pensou que um xingamento foi direcionado a ele, o que não era verdade segundo o jogador. De qualquer maneira, Gilberto havia levado o terceiro cartão amarelo e logo depois o vermelho, assim ficando suspenso por dois jogos e não participa mais neste Campeonato Brasileiro.

Com empate, o Atlético tem mais duas oportunidades para se salvar da zona de rebaixamento, entre elas, a decisão contra o também ameaçado Botafogo na Arena da Baixada, na próxima rodada. Se vencer, estará livre de qualquer risco de Série B em 2010.

Já o Cruzeiro tem missão mais complicada. Precisa torcer por um empate entre Atlético Mineiro e Internacional no Mineirão, para não se distanciar do G-4. Além disso, o torcedor cruzeirense tem outra decisão, desta vez extra-campo. Nesta terça-feira, Adilson Batista definirá a sua permanência no Cruzeiro ou saída para o Grêmio. E para a preocupação de boa parte da torcida celeste, o caminho do técnico cruzeirense aponta para o Olímpico.

Tcheco sai do Grêmio

Foto: Fernando Gomes/ClicRBS

Chegou ao fim o ciclo de Tcheco no Grêmio, após três anos no clube. O anuncio ocorreu em entrevista coletiva nesta tarde de quinta-feira (19) no estádio Olímpico. O meia de 34 anos deixa o Tricolor Gaúcho com 182 jogos e 43 gols marcados,  dois títulos do Campeonato Gaúcho de 2006 e 2007, além dos vices da Copa Libertadores 2007 e do Campeonato Brasileiro 2008.

Nesses três anos no clube, Tcheco conseguiu dividir opiniões como poucos o fizeram entre os torcedores gremistas e se trata de um jogador que desperta amor e ódio. Mas uma  colocação injusta foi associar a falta de títulos expressivos do Grêmio à permanência dele, como alguns torcedores fazem. Afinal, além de o futebol ser um esporte coletivo, também se deve ressaltar que no Campeonato Brasileiro 2008, o maior problema do Tricolor jamais foi Tcheco.

O Grêmio  perdeu a oportunidade de ser tricampeão nacional por carências decisivas na lateral-esquerda e no ataque principalmente. Quanto à Libertadores de 2007, o time gremista enfrentou na grande decisão uma equipe tecnicamente superior e com folha salarial bem maior, como foi o Boca Juniors. Então onde estaria a culpa de Tcheco na falta de títulos de expressão?

O problema que envolve a irregularidade técnica de Tcheco nos últimos meses não está exatamente nele e sim no Grêmio.  O time gremista criou uma dependência pelo meia que é  preocupante, pois sem a presença dele, a equipe perde qualidade na distribuição de jogo.

Tcheco já tem idade avançada e sua condição física não o credencia a ter regularidade disputando um jogo atrás do outro. Também se não houver uma boa dupla de volantes para lhe deixar livre na criação, o seu futebol será prejudicado.

Mesmo que o ano de 2010 possa ser a ascensão e consolidação de Douglas Costa, Mithyuê e Maylson, Tcheco ainda seria importante ao time pela sua experiência em campo pelo o seu gremismo, jamais escondido na alegria da vitória ou nas lágrimas da derrota. Há anos Grêmio não tinha um jogador tão identificado com o próprio clube.

Sem dúvidas, Tcheco saí do Grêmio e deixa parte da torcida entristecida, principalmente pela falta de título expressivo, apesar do seu grande esforço. O jogador deverá ir para o Corinthians, mas também há proposta do Atlético Mineiro. O meia poderia contar com Mano Menezes  ou Celso Roth, ambos com passagens no Olímpico.

Mas antes de sua saída, é justo que meia faça uma despedida digna no Grêmio. Será estranho se Tcheco não for utilizado para a partida contra o Barueri, no próximo dia 29 de novembro, em Porto Alegre. Este será o último jogo do time gremista ao lado da torcida em 2009 e que seja também o palco da despedida de Tcheco ao lado daqueles que o admiram.

As lágrimas de Jonas

Foto: Daniel Marenco  - ClicRBS

Foto: Daniel Marenco – ClicRBS

No último domingo, ao fazer o quinto gol na goleada contra o Fluminense, Jonas não resistiu e permitiu que as lágrimas saíssem pela emoção do momento especial que vive no Grêmio. Nada mais justo, visto que o atacante quase se tornou um vilão naquele jogo e saiu como herói. Do pênalti perdido, quando Tcheco deveria ser o cobrador oficial, Jonas saiu como artilheiro do Campeonato Brasileiro após 25 rodadas, com 13 gols, ao lado de Adriano do Flamengo.

Essa trajetória de virada e superação é algo que vem simbolizando Jonas em toda a sua história no Grêmio. Depois de uma temporada discreta em 2007, o atacante foi emprestado à Portuguesa para a disputa do Brasileirão 2008, quando marcou 10 gols, mais do os atacantes gremistas na competição; insuficiente, porém, para livrar a Lusa do rebaixamento.

Quando voltou ao Olímpico para esta temporada, Jonas estava na lista dos dispensáveis, junto com Ramon, Tadeu, Peter, Nunes e Bruno Teles. Tudo indicava que o atacante seria transferido a outro clube, segundo o então diretor de futebol André Krieger, que pediu demissão após a eliminação do Grêmio na Libertadores.

Mesmo assim, Jonas ficou no Grêmio, mas como patinho feio. Para a parte da torcida, Alex Mineiro, Herrera e Maxi López era os principais atacantes, enquanto Jonas era apenas uma opção de banco. Apesar disso, atacante gremista seguiu comendo pelas beiradas e assim foi ganhando o seu espaço e se firmando no time titular.

Mas Jonas ainda levaria mais uma pancada do futebol. Depois de surpreendente gol perdido contra o Boyacá Chicó pela Copa Libertadores da América, o jogador gremista foi chamado pelo jornal espanhol Mundo Deportivo de pior atacante do planeta. Ainda assim, ele não desistiu de mostrar o seu valor ao Grêmio.

Jonas é um atacante normal, que surpreendentemente pode errar os gols mais fáceis e fazer os mais difíceis. Porém são compreensíveis as suas lágrimas, pois para chegar à artilharia do Brasileirão e ganhar o respeito da maioria da torcida tricolor, ele teve que superar obstáculos para isso.

Embora não seja excepcional, Jonas vem calando os críticos e está realizando uma caminhada bonita no Grêmio na temporada 2009. Será que se Jonas fizesse parte do Grêmio em 2008, o então time de Celso Roth perderia o título brasileiro para o São Paulo? Essa é uma pergunta que jamais será respondida. Mas uma coisa é certa, ele é melhor atacante do que Perea, Marcel, Soares e Morales.

Grêmio decepciona em casa

Foto: Daniel Marenco

O Grêmio jogou muito mal a partida deste sábado contra o Vitória, no estádio Olímpico. Num jogo marcado por diversos erros de passes e atuações para se esquecer dos jogadores gremistas, com exceções como Mário Fernandes, o empate pode ser considerado uma vitória para o time gremista, por causa de uma péssima atuação. Talvez uma das piores em um ano de invencibilidade no estádio Olímpico.

Apesar do resultado não esperado, essa partida foi emblemática. Isso porque Mário Fernandes se consolida cada vez mais no Grêmio. O jovem zagueiro revelado pelo São Caetano mostra que valeu a pena a sua contratação e a paciência por parte da torcida e dirigentes gremistas com o episódio de seu desaparecimento. Numa noite em que até Réver esteve apagado, Mário Fernandes evitou o pior, numa partida impecável. Sem dúvidas, o melhor gremista em campo.

Porém, o zagueiro foi uma das exceções. Souza fez uma das partidas mais horrorosas já vista no Grêmio. O que fora de casa já estava virando um hábito, no Olímpico foi novidade. Além de inócuo no setor ofensivo, o meia ainda perdia bolas bobas no meio-campo, dando o contra-ataques ao Vitória.

Já Adilson seguiu com a mesma displicência. Errava muitos passes e perdia bolas no meio-campo, municiando o ataque baiano. Assim como Souza, o jovem volante fez uma partida para não ser lembrada pelos torcedores. Quanto a Fábio Rochemback, o estreante começou bem, mostrando vontade e chutando a gol, mas cansou no segundo tempo.

Douglas Costa segue como decepção. Quando se imagina que ele enfim vai corresponder toda a expectativa, o meia joga tudo para o alto. Não dá para negar que ele se esforçou nos minutos iniciais, mas comprovou que não tem capacidade para substituir o Tcheco, tão criticado por alguns. Acabou substituído pelo próprio camisa 10, que começara no banco de reservas.

A partir de então vem outro fato emblemático nesta noite de sábado. Trata-se do próprio Tcheco. O meia começou no banco, para alegria de parte da torcida (talvez a minoria). Mas o jogo provou que ele não é o mal do Grêmio, como alguns querem pensar. Antes de sua entrada, o meio-campo do Tricolor não tinha criatividade e muito menos toque de bola. Era um setor nulo.

Após a entrada de Tcheco, o Grêmio passou a dominar o Vitória, mesmo sem grande organização tática e com adversário mais cansado e com um a menos, devido à expulsão de Magal. Mas será que se o nosso camisa 10 começasse o jogo, o placar seria diferente? Não há como comprovar, mas acredito que seria sim.

Para reforçar essa hipótese, foi o próprio Tcheco que fez a assistência para o gol de empate de Jonas, quando o cronômetro apontava 41 minutos do segundo tempo. Assim a partida deste sábado apenas lhe dá mais crédito com a torcida gremista, que gritava o seu nome no Olímpico e o aplaudiu após o apito final. Sem dúvidas, Tcheco saiu fortalecido e foi decisivo para a busca do empate.

O mesmo não se pode dizer de Paulo Autuori. Ainda há uma parcela da torcida que não aceitou as suas substituições no empate de 3×3 contra o Botafogo. Neste jogo, o técnico deslocou Túlio para lateral-direita para entrada de Fábio Rochemback. Mudanças que o time não assimilou. Sem dúvidas, Autuori teve influência no resultado, mas vale a ressalva de que o técnico foi traído por péssimas atuações de Souza, Adilson e Douglas Costa.

O empate foi frustrante, mas não foi ruim pelas circunstâncias do jogo, visto que o Vitória teve mais oportunidades de gols e ainda mandou duas bolas na trave nos cinco primeiros minutos da etapa final. A verdade é que se fosse para haver um vencedor, este seria o Vitória.

Mas esquecendo o “se”, agora o Grêmio precisa pensar em corrigir os erros e buscar mais uma vez a vitória fora de casa, desta vez contra o Náutico. Caso o Grêmio ainda sonhe com G-4, os três pontos desta partida serão imprescindíveis. Caso perca, então chegará a hora de jogar a toalha.

Rodada perfeita para o Internacional

Foto: Mauro Vireira/ClicRBS

Depois de três jogos sem vencer pelo Campeonato Brasileiro, o Internacional volta a mostrar forças pela briga do título nacional. Em partida válida pela 22ª rodada, o clube colorado aplicou 4×0 no Goiás e se aproximou dos líderes do campeonato, com um jogo a menos.

A grande expectativa era o retorno de Fernandão, capitão colorado nas conquistas da Libertadores e do Mundial em 2006, mas desta vez atuando pelo Goiás. Também houve o retorno de Fabiano Eller e a estréia de Edu. Porém, a estrela do jogo foi o jovem Marquinhos, de apenas 19 anos, que atuou no lugar do suspenso Taison. Foi dele o primeiro gol, aos cinco minutos de bola rolando, após passe de Giuliano e fazer linda conclusão na saída do goleiro Harley.

Já Fernandão faria a festa da torcida colorada, mesmo vestindo a camisa esmeraldina. O jogador foi expulso de forma totalmente infantil, numa suposta cotovelada em Magrão. É bem verdade que ele não atingiu o rosto do jogador adversário, mas é inegável também a sua imprudência. Assim, o árbitro Ricardo Marques Ribeiro não pensou duas vezes e aplicou o cartão vermelho aos 13 minutos de jogo.

Desde então, a partida ficou fácil para o Internacional e não tardou para ampliar a vantagem. Aos 15 minutos, Marquinhos passa a bola para Guiñazu concluir e marcar o segundo gol colorado. Antes do encerramento da primeira etapa, Giuliano não fez o terceiro gol por falta de sorte.

No segundo tempo, o Colorado tratou de aniquilar de vez o Goiás, ao fazer o terceiro gol. Mais uma vez, Marquinhos participa da jogada, faz o cruzamento pela esquerda da grande área e a bola ia saindo pela linha de fundo. Mas Edu apareceu a tempo e cruzou para Giuliano concluir às redes de Harley. Já o quarto gol saiu aos 24 minutos da etapa final, em belo gol de cobertura de Kleber dentro da grande área. Assim o Inter fechou a conta com, deixando o placar em 4×0.

Com a vitória, o Inter supera um candidato direto no G-4 e ainda contou com o benéfico empate de 0×0 entre Palmeiras e São Paulo. Nesta quarta-feira, o time de Tite encara o já desacreditado Atlético Mineiro de Celso Roth no Beira-Rio. Caso vença, o Colorado sobe para 40 pontos, ganha o Troféu Osmar Santos pelo simbólico título do primeiro turno e fica apenas um ponto atrás do líder Palmeiras.

Para completar a rodada praticamente perfeita para os colorados, o Grêmio segue a sua rotina de não vencer fora de casa e vê o título mais distante. Além disso, Marquinhos e Giuliano são grandes promessas a se concretizarem num futuro próximo. Portanto, o Internacional segue bem vivo na briga pelo título brasileiro.

 

 

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