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Arquivo para a categoria ‘Grêmio’

Um crime no Maracanã é possível

Torcedores flamenguistas e gremistas se juntam, mas não acredito em corpo-mole do Grêmio

O assessor de futebol do Grêmio, Alberto Guerra, já deixou claro: “Ninguém vem aqui para colocar a faixa no Flamengo. Quem está pensando isso, vai se surpreender amanhã”. De fato, a postura do Tricolor dos Pampas pode surpreender no Maracanã.

O Grêmio chegou à capital fluminense totalmente desfigurado. Entre os desfalques, estão Rafael Marques, Réver e Maxi López que foram vetados pelo departamento médico; enquanto Tcheco já realizou a sua despedida no Olímpico e Fábio Rochemback recebeu o terceiro cartão amarelo. Victor e Souza serão preservados pela direção, principalmente o meia, depois das declarações dadas na vitória contra o Barueri.

Mesmo assim, o time que irá entrar no Maracanã pode complicar a vida do Flamengo, caso este entre com clima de já ganhou. O time comandado por Marcelo Rospide terá bons jogadores, como Mário Fernandes, Léo, Adilson, Maylson, Roberson e Douglas Costa. Sendo este último atravessando por grande fase.

Nada que mude o favoritismo do Flamengo. É difícil crer que o Grêmio, com apenas uma vitória fora de casa contra o rebaixado Náutico e ainda muito desfalcado, vá aprontar contra um time que briga pelo título e terá todo o Maracanã a seu favor.

Embora haja todo um contexto favorável ao Flamengo, o técnico Andrade precisa fazer com que o time rubro-negro fique focado e não seja contagiado pelo clima de oba-oba da torcida flamenguista e até mesmo por parte da torcida gremista.

Tudo indica o Hexacampeonato Brasileiro na Gávea, mas do outro lado, estará jogadores pressionados por todos os lados para não entregarem o jogo. Há sim pressão de parte da torcida e conselheiros gremistas para que o time entregue, porém isso não é unanimidade no Olímpico e haverá pressão da imprensa, outros torcedores e ainda STJD.

Por essa razão, não acredito que o Grêmio faça corpo-mole e pode fazer jogo duro contra o Flamengo. Caso o time de Andrade não entre focado, um crime digno de Maracanazzo poderá ocorrer neste dia 6 de dezembro de 2009.

Espírito de porco

Cipullo fazendo papel de chorão

Chega ser engraçada a tentativa de o Palmeiras pressionar o Grêmio a usar titulares, isso para não dizer que a atitude é simplesmente ridícula. Mas a grande questão fica na moral do clube do Palestra Itália em pensar em ir à CBF ou à FIFA pelo uso de titulares do Grêmio na última rodada do Campeonato Brasileiro.

O vice-presidente do Palmeiras, Gilberto Cipullo, deveria olhar para o seu umbigo antes de sair dando declarações sem sentido. Isso porque o clube alviverde já usou reservas neste Campeonato Brasileiro, contra o Coritiba na primeira rodada da competição.

Oras, seguindo a lógica do senhor Cipullo, o Palmeiras não poderia usar, em nenhum momento deste campeonato, a equipe reserva. Afinal, se existe essa tal regra da FIFA em que exige que as equipes usem titulares (algo muito subjetivo para ser uma regra, diga-se), o Palmeiras cometeu uma clara infração. E todos sabem que essa não foi a primeira vez que o clube do Palestra Itália entrou em campo com reservas em toda sua história.

Portanto, está na hora dos cartolas palmeirenses enxergarem a sua própria incompetência ao invés de jogar para torcida que o Grêmio é o vilão da história. A exemplo do ano passado, o Palmeiras é um time que ameaça chegar e morre na praia, principalmente neste campeonato.

E não custa nada lembrar que nos dois jogos contra o Grêmio, o Palmeiras perdeu cinco pontos e ainda teve sorte de não sair do Palestra Itália derrotado. Essa pontuação poderia colocar o clube alviverde na liderança da competição. Então não cabe ao Cipullo ou qualquer outro cartola verde mascara incompetência e a limitação técnica do elenco palmeirense. Entre todos os que brigam pelo título, o Palmeiras é o que menos merece ser campeão e o mais fraco entre os quatro primeiros colocados.

Tcheco sai do Grêmio

Foto: Fernando Gomes/ClicRBS

Chegou ao fim o ciclo de Tcheco no Grêmio, após três anos no clube. O anuncio ocorreu em entrevista coletiva nesta tarde de quinta-feira (19) no estádio Olímpico. O meia de 34 anos deixa o Tricolor Gaúcho com 182 jogos e 43 gols marcados,  dois títulos do Campeonato Gaúcho de 2006 e 2007, além dos vices da Copa Libertadores 2007 e do Campeonato Brasileiro 2008.

Nesses três anos no clube, Tcheco conseguiu dividir opiniões como poucos o fizeram entre os torcedores gremistas e se trata de um jogador que desperta amor e ódio. Mas uma  colocação injusta foi associar a falta de títulos expressivos do Grêmio à permanência dele, como alguns torcedores fazem. Afinal, além de o futebol ser um esporte coletivo, também se deve ressaltar que no Campeonato Brasileiro 2008, o maior problema do Tricolor jamais foi Tcheco.

O Grêmio  perdeu a oportunidade de ser tricampeão nacional por carências decisivas na lateral-esquerda e no ataque principalmente. Quanto à Libertadores de 2007, o time gremista enfrentou na grande decisão uma equipe tecnicamente superior e com folha salarial bem maior, como foi o Boca Juniors. Então onde estaria a culpa de Tcheco na falta de títulos de expressão?

O problema que envolve a irregularidade técnica de Tcheco nos últimos meses não está exatamente nele e sim no Grêmio.  O time gremista criou uma dependência pelo meia que é  preocupante, pois sem a presença dele, a equipe perde qualidade na distribuição de jogo.

Tcheco já tem idade avançada e sua condição física não o credencia a ter regularidade disputando um jogo atrás do outro. Também se não houver uma boa dupla de volantes para lhe deixar livre na criação, o seu futebol será prejudicado.

Mesmo que o ano de 2010 possa ser a ascensão e consolidação de Douglas Costa, Mithyuê e Maylson, Tcheco ainda seria importante ao time pela sua experiência em campo pelo o seu gremismo, jamais escondido na alegria da vitória ou nas lágrimas da derrota. Há anos Grêmio não tinha um jogador tão identificado com o próprio clube.

Sem dúvidas, Tcheco saí do Grêmio e deixa parte da torcida entristecida, principalmente pela falta de título expressivo, apesar do seu grande esforço. O jogador deverá ir para o Corinthians, mas também há proposta do Atlético Mineiro. O meia poderia contar com Mano Menezes  ou Celso Roth, ambos com passagens no Olímpico.

Mas antes de sua saída, é justo que meia faça uma despedida digna no Grêmio. Será estranho se Tcheco não for utilizado para a partida contra o Barueri, no próximo dia 29 de novembro, em Porto Alegre. Este será o último jogo do time gremista ao lado da torcida em 2009 e que seja também o palco da despedida de Tcheco ao lado daqueles que o admiram.

Grêmio e Palmeiras fazem duelo com objetivos distintos

Grêmio


Assim como foi na partida contra o São Paulo, o duelo diante do Palmeiras também será essencial para o Grêmio manter a invencibilidade que já dura mais de um ano no estádio Olímpico. Já são 37 jogos sem perder em casa e manter esse tabu deve ser a meta para encerrar 2009 com mais dignidade.

O Grêmio vem desfalcado de quatro jogadores: Túlio, Fábio Santos, Tcheco e Victor. Já Réver segue em observação, mas deve jogar, assim como há chance, mais remota, para Léo. Em compensação, Marcelo Rospide terá a volta de Souza. Provavelmente, o técnico precisará utilizar Lúcio na lateral-esquerda, Thiego novamente no lado direito, contar com a recuperação de Réver para jogar ao lado de Rafael Marques.

No meio, Maylson merece mais chance de ter continuidade do que Herrera. Assim o jovem meia poderia auxiliar Rochemback e Adilson na marcação e saindo ao ataque quando possível. William Magrão também é uma ótima opção, mas não há como saber se ele já se encontra num ritmo adequado de jogo. No ataque, segue Maxi López, recebendo apoio de Douglas Costa.

Entre os desfalques, Victor e Tcheco farão mais falta. Por mais que o Marcelo Grohe seja um bom goleiro, a categoria do camisa 1 do Grêmio é de outro nível, o que o credencia a um dos melhores goleiros do mundo e o melhor em atividade no Brasil. Já Tcheco, mesmo alternando boas e más atuações, é importante pelo toque de bola e a distribuição do jogo.

Caso vença o Palmeiras, o Grêmio apenas precisará superar o Barueri no próximo domingo para passar todo ano de 2009 invicto no Olímpico. Aproveitamento de campeão, que só não coloca o Tricolor dos Pampas na liderança, pois nos jogos fora de casa a equipe gremista tem um aproveitamento de time rebaixado.

Apesar disso, o Palmeiras é um time credenciado a tirar essa invencibilidade, nem tanto pela parte técnica do time, que anda devendo nos  últimos, mas por ser um grande clube e pelo clima decisivo que envolve o duelo. A atenção total do time de Marcelo Rospide se faz necessária este clássico nacional.

Palmeiras

Já o Palmeiras de Muricy Ramalho vem dando uma aula de como perder um Campeonato Brasileiro. Com uma liderança que parecia folgada em suas mãos, o time alviverde colecionou resultados vexatórios como as derrotas para o Náutico e Santo André e mais o empate em casa contra o já rebaixado Sport. Agora o Palmeiras já observa São Paulo e Flamengo na frente e o seu retrovisor tem Cruzeiro e Atlético Mineiro ameaçando o seu atual posto.

Por outro lado, é exatamente isso que pode dar força para aos palmeirenses nesta partida, visto que deve ser tratada como se fosse uma grande final. Todos do Palestra Itália estão cientes de que se perderem o jogo, o título brasileiro fica praticamente inalcançável restando apenas duas rodadas para o  término da competição. Em suma, este é o jogo da vida em 2009 para o Palmeiras.

Muricy Ramalho já pode contar com o retorno de Pierre, o pilar de  maior sustentabilidade do meio-campo palmeirense. Desde a sua saída, o time palmeirense levou mais gols do que de costume. Mas Cleiton Xavier, o principal meia  palmeirense, permanece fora dos gramados.

Marcos e Danilo foram absolvidos pelo STJD e jogam no Olímpico. A mesma sorte não teve o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, com gancho de 270 dias de suspensão de suas atividades no futebol, pelas declarações fortes dadas contra o árbitro Carlos Eugênio Símon. Resta saber até onde isso irá atrapalhar o time palmeirense dentro do Olímpico.

As lágrimas de Jonas

Foto: Daniel Marenco  - ClicRBS

Foto: Daniel Marenco – ClicRBS

No último domingo, ao fazer o quinto gol na goleada contra o Fluminense, Jonas não resistiu e permitiu que as lágrimas saíssem pela emoção do momento especial que vive no Grêmio. Nada mais justo, visto que o atacante quase se tornou um vilão naquele jogo e saiu como herói. Do pênalti perdido, quando Tcheco deveria ser o cobrador oficial, Jonas saiu como artilheiro do Campeonato Brasileiro após 25 rodadas, com 13 gols, ao lado de Adriano do Flamengo.

Essa trajetória de virada e superação é algo que vem simbolizando Jonas em toda a sua história no Grêmio. Depois de uma temporada discreta em 2007, o atacante foi emprestado à Portuguesa para a disputa do Brasileirão 2008, quando marcou 10 gols, mais do os atacantes gremistas na competição; insuficiente, porém, para livrar a Lusa do rebaixamento.

Quando voltou ao Olímpico para esta temporada, Jonas estava na lista dos dispensáveis, junto com Ramon, Tadeu, Peter, Nunes e Bruno Teles. Tudo indicava que o atacante seria transferido a outro clube, segundo o então diretor de futebol André Krieger, que pediu demissão após a eliminação do Grêmio na Libertadores.

Mesmo assim, Jonas ficou no Grêmio, mas como patinho feio. Para a parte da torcida, Alex Mineiro, Herrera e Maxi López era os principais atacantes, enquanto Jonas era apenas uma opção de banco. Apesar disso, atacante gremista seguiu comendo pelas beiradas e assim foi ganhando o seu espaço e se firmando no time titular.

Mas Jonas ainda levaria mais uma pancada do futebol. Depois de surpreendente gol perdido contra o Boyacá Chicó pela Copa Libertadores da América, o jogador gremista foi chamado pelo jornal espanhol Mundo Deportivo de pior atacante do planeta. Ainda assim, ele não desistiu de mostrar o seu valor ao Grêmio.

Jonas é um atacante normal, que surpreendentemente pode errar os gols mais fáceis e fazer os mais difíceis. Porém são compreensíveis as suas lágrimas, pois para chegar à artilharia do Brasileirão e ganhar o respeito da maioria da torcida tricolor, ele teve que superar obstáculos para isso.

Embora não seja excepcional, Jonas vem calando os críticos e está realizando uma caminhada bonita no Grêmio na temporada 2009. Será que se Jonas fizesse parte do Grêmio em 2008, o então time de Celso Roth perderia o título brasileiro para o São Paulo? Essa é uma pergunta que jamais será respondida. Mas uma coisa é certa, ele é melhor atacante do que Perea, Marcel, Soares e Morales.

Grêmio decepciona em casa

Foto: Daniel Marenco

O Grêmio jogou muito mal a partida deste sábado contra o Vitória, no estádio Olímpico. Num jogo marcado por diversos erros de passes e atuações para se esquecer dos jogadores gremistas, com exceções como Mário Fernandes, o empate pode ser considerado uma vitória para o time gremista, por causa de uma péssima atuação. Talvez uma das piores em um ano de invencibilidade no estádio Olímpico.

Apesar do resultado não esperado, essa partida foi emblemática. Isso porque Mário Fernandes se consolida cada vez mais no Grêmio. O jovem zagueiro revelado pelo São Caetano mostra que valeu a pena a sua contratação e a paciência por parte da torcida e dirigentes gremistas com o episódio de seu desaparecimento. Numa noite em que até Réver esteve apagado, Mário Fernandes evitou o pior, numa partida impecável. Sem dúvidas, o melhor gremista em campo.

Porém, o zagueiro foi uma das exceções. Souza fez uma das partidas mais horrorosas já vista no Grêmio. O que fora de casa já estava virando um hábito, no Olímpico foi novidade. Além de inócuo no setor ofensivo, o meia ainda perdia bolas bobas no meio-campo, dando o contra-ataques ao Vitória.

Já Adilson seguiu com a mesma displicência. Errava muitos passes e perdia bolas no meio-campo, municiando o ataque baiano. Assim como Souza, o jovem volante fez uma partida para não ser lembrada pelos torcedores. Quanto a Fábio Rochemback, o estreante começou bem, mostrando vontade e chutando a gol, mas cansou no segundo tempo.

Douglas Costa segue como decepção. Quando se imagina que ele enfim vai corresponder toda a expectativa, o meia joga tudo para o alto. Não dá para negar que ele se esforçou nos minutos iniciais, mas comprovou que não tem capacidade para substituir o Tcheco, tão criticado por alguns. Acabou substituído pelo próprio camisa 10, que começara no banco de reservas.

A partir de então vem outro fato emblemático nesta noite de sábado. Trata-se do próprio Tcheco. O meia começou no banco, para alegria de parte da torcida (talvez a minoria). Mas o jogo provou que ele não é o mal do Grêmio, como alguns querem pensar. Antes de sua entrada, o meio-campo do Tricolor não tinha criatividade e muito menos toque de bola. Era um setor nulo.

Após a entrada de Tcheco, o Grêmio passou a dominar o Vitória, mesmo sem grande organização tática e com adversário mais cansado e com um a menos, devido à expulsão de Magal. Mas será que se o nosso camisa 10 começasse o jogo, o placar seria diferente? Não há como comprovar, mas acredito que seria sim.

Para reforçar essa hipótese, foi o próprio Tcheco que fez a assistência para o gol de empate de Jonas, quando o cronômetro apontava 41 minutos do segundo tempo. Assim a partida deste sábado apenas lhe dá mais crédito com a torcida gremista, que gritava o seu nome no Olímpico e o aplaudiu após o apito final. Sem dúvidas, Tcheco saiu fortalecido e foi decisivo para a busca do empate.

O mesmo não se pode dizer de Paulo Autuori. Ainda há uma parcela da torcida que não aceitou as suas substituições no empate de 3×3 contra o Botafogo. Neste jogo, o técnico deslocou Túlio para lateral-direita para entrada de Fábio Rochemback. Mudanças que o time não assimilou. Sem dúvidas, Autuori teve influência no resultado, mas vale a ressalva de que o técnico foi traído por péssimas atuações de Souza, Adilson e Douglas Costa.

O empate foi frustrante, mas não foi ruim pelas circunstâncias do jogo, visto que o Vitória teve mais oportunidades de gols e ainda mandou duas bolas na trave nos cinco primeiros minutos da etapa final. A verdade é que se fosse para haver um vencedor, este seria o Vitória.

Mas esquecendo o “se”, agora o Grêmio precisa pensar em corrigir os erros e buscar mais uma vez a vitória fora de casa, desta vez contra o Náutico. Caso o Grêmio ainda sonhe com G-4, os três pontos desta partida serão imprescindíveis. Caso perca, então chegará a hora de jogar a toalha.

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